Vozes Pela Paz na Escola discute no IEMA o combate à violência contra a mulher

Vozes Pela Paz na Escola no IEMA (Foto: Antônio Martins)

No Brasil, a cada 11 minutos uma mulher é vítima de estupro cometido por um homem conhecido ou não. A cada 7 minutos outra mulher é espancada por um homem com quem tem algum tipo de relacionamento. Só em 2018, no Maranhão, 43 mulheres foram mortas, vítimas de feminicídio. O crime é a face mais brutal da violência contra a mulher, que muitas vezes começa de maneira sútil, com um comportamento controlador disfarçado de proteção.

Essa situação, que se torna cada vez mais comum na sociedade, levou a Secretaria de Estado de Educação (Seduc), por meio da sua Ouvidoria, a lançar, nesta terça-feira (19), o projeto Vozes Pela Paz na Escola. O objetivo do projeto é promover a informação e o diálogo sobre as várias formas de violência contra a mulher no ambiente escolar, bem como sensibilizar os gestores escolares e professores, tornando-os multiplicadores desses conhecimentos, fortalecendo a cultura de paz nas escolas.

O projeto foi lançado no auditório do IEMA, no Centro da cidade, durante o ciclo de palestra sobre a violência contra a mulher, promovido pela instituição de Ensino, como parte das ações desenvolvidas ao longo do mês de março, por conta do Dia Internacional da Mulher.

O Vozes Pela Paz na Escola será desenvolvido pela Ouvidoria da Seduc paralelamente a outros projetos de sucesso, que o setor já desenvolve junto à comunidade escolar, como o Conversando Com a Escola, premiado nacionalmente. A Ouvidora da Seduc, Samira Simas, ministrou uma palestra Vozes pela Paz na Escola, onde explicou o intuito do projeto e a importância de trabalhar essa temática no âmbito escolar.

O novo projeto será levado às escolas da rede estadual, onde serão realizadas palestras, rodas de conversas e debates sobre a problemática. A Ouvidoria terá como parceiros as Secretarias de Estado da Mulher e Adjuntas da Seduc; Delegacia da Mulher; Casa da Mulher Brasileira; Defensoria Pública; Ministério Público; Ordem dos Advogados do Brasil – seccional Maranhão (OAB\MA); Ouvidoria Geral do Estado; Justiça Estadual e o Poder Legislativo.

Segundo a ouvidora da Seduc, Samira Simas, o objetivo da ação é despertar consciências sobre a importância da luta contra todo tipo de violência contra a mulher. “Nossa intenção maior é discutir junto com a comunidade escolar essas questões que permeiam, de uma forma muito forte, a nossa sociedade”, disse.

“A gente precisa informar a essa meninada que a violência não é só física. Então, eles precisam saber identificar os tipos de violência, saber como agir, que órgãos procurar diante de casos de violência. O Vozes pela Paz na Escola será um grande projeto de conscientização dos nossos estudantes, sobre essa temática tão séria na nossa sociedade”, completou Samira.

O gestor do IEMA Jhonatan Camilo destacou que é preciso trabalhar a temática da violência contra a mulher desde cedo, para que haja prevenção. “Muitos adolescentes vivenciam casos de violência em casa, a gente ouve isso nas conversas, os professores observam e identificam essa problemática, que muitas vezes a situação não é denunciada por medo”, disse.

“Trabalhar esse tema nessa fase, em que eles já conseguem ter um direcionamento melhor em suas vidas, ajuda a formar uma consciência maior sobre o que é a violência contra a mulher e o mal que ela traz para a sociedade. Queremos ajudar a formar mulheres mais corajosas e conscientes de seus direitos, assim como formar cidadãos melhores, futuramente, maridos e pais melhores, capazes de respeitar a mulher”, acrescentou Camilo.

Delegada Kazume Tanaka orienta os estudantes sobre a violência contra mulher (Foto: Antônio Martins)

A delegada da Mulher, Kazume Tanaka, foi uma das convidadas a conversar com os cerca de 200 estudantes que participaram do evento. Ela falou sobre machismo, descontrole emocional, misoginia (ódio contra a mulher) e outras atitudes que levam à violência e atingem severamente meninas e mulheres. E enfatizou as diversas formas de violência contra a mulher, como começa e como, geralmente, termina. Kazume mostrou casos de feminicídios de grande repercussão no estado, onde os criminosos foram maridos, namorados, padrastos e cunhado.

A delegada destacou, ainda, que o Maranhão tem o primeiro Departamento de Combate ao Feminicídio no país. E que isso muda o panorama de classificação dos assassinatos de mulheres. “Após o advento da Lei Maria da Penha, houve um incremento da discussão pública sobre o que seja a violência contra a mulher. Em função disso vários organismos especializados foram criados, a temática da violência contra e seu enfrentamento, assim como a garantia dos direitos das mulheres têm sido uma recorrente o ano inteiro”, explica.

Segundo Kazume, devido a esses avanços, já é possível observar “uma mudança na concepção do que seja igualdade de direitos entre homens e mulheres e, principalmente, perceber que o que estava acobertado pelo manto da impunidade e do preconceito, que agora se revela e as mulheres têm tido mais coragem de denunciar e buscar os organismos oficiais do estado”.

Estudantes debatem sobre violência contra a mulher (Foto: Antônio Martins)

Kazume salientou, ainda, a importância de envolver a comunidade escolar no debate dessa temática. “É fundamental esse debate na escola, até porque a Lei Maria da Penha, dentro dos seus preceitos, coloca que isso tem que ser trabalhado dentro do âmbito educacional, porque é a educação que vai transformar essa realidade. Lei não transforma essa realidade, mas sim, a mudança de pensamento, a mudança na maneira como as pessoas se relacionam. A violência contra mulher é um fenômeno cultural, e pra mudar isso não bastam leis criminais, é preciso consciência cidadã”, frisou a delegada.

Para os estudantes, os debates trazem oportunidade de ampliar a visão sobre a temática da violência contra a mulher e sobre as formas de prevenção. “Um debate como este abre portas para ampliarmos os nossos conhecimentos sobre o assunto, a termos mais consciência sobre o tema. E quando você conhece, você se encoraja a falar, a denunciar quando observa situações de violência”, falou Maria Gabriele Mendonça Lago, estudante do IEMA.

“Eu acho muito importante ter palestras como está, não só no IEMA, mas em todas as escolas, porque é o momento em que muitos adolescentes estão construindo a sua identidade, seus conceitos e visão de mundo. É preciso desenvolver nos jovens atitudes de respeito à mulher. E debates como este ajudam a despertar essa percepção de respeito, cavalheirismo e educação”, complementou Francisco Carvalho, aluno do IEMA.