Governo chama atenção da população para importância de completar ciclo vacinal do sarampo

O último balanço sobre o sarampo divulgado pelo Ministério da Saúde informou que, nos últimos 90 dias, 2.331 casos da doença foram contabilizados em 12 estados brasileiros, entre eles o Maranhão, que já teve dois casos da doença confirmados em Vitorino Freire e Lago da Pedra.

Para evitar o avanço do sarampo, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) pede que pais e responsáveis realizem o ciclo vacinal de rotina de crianças, um dos públicos considerados mais vulneráveis à doença.

“Não existe outra forma mais eficaz de evitar que a doença se espalhe do que através da vacinação, por isso toda população com idade para receber as doses deve ser imunizada, em especial os bebês, que mais sofrem com a doença. Contudo, nossas coberturas vacinais estão baixas. Precisamos que todos se esforcem para erradicar novamente a doença”, pontua o secretário de Estado da Saúde, Carlos Lula.

Crianças com idade entre 6 meses e 11 meses e 29 dias devem receber a dose zero, disponibilizada recentemente pelo ministério; além dela, é preciso completar o esquema com as outras duas doses de rotina preconizadas uma dose aos 12 meses (tríplice viral) e outra aos 15 meses (a tetra viral). Apenas após completar todas as doses que a proteção chegará a 98%.

Pessoas até os 29 anos, devem também receber duas doses, da tríplice ou tetra viral; e aqueles com idade entre 30 de 49 anos, devem tomar uma dose única, da tríplice ou tetra viral. As doses estão distribuídas nos postos de saúde, uma vez que o Ministério da Saúde tem sinalizado que não haverá uma campanha de vacinação, mas sim a intensificação das ações de imunização de rotina.

Os sintomas do sarampo são tosse, coriza, olhos inflamados, dor de garganta, febre e irritação na pele com manchas vermelhas. Mas o vírus também pode causar pneumonia, dano cerebral permanente, surdez, parto prematuro, bebês com baixo peso ao nascer e morte.

Cobertura

De janeiro a julho, o Maranhão alcançou a cobertura vacinal de 68,52% em relação à primeira dose da tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), ministrada aos 12 meses – a cobertura é calculada de acordo com a meta proporcional aos sete primeiros meses do ano, que é de 65.905.

No ranking nacional dos estados e Distrito Federal, o estado ficou em 25º lugar, ficando a frente somente do Pará (63,08%) e Rio de Janeiro (56,85%). Os primeiros lugares foram Alagoas (92,66%), Minas Gerais (92,4%) e Paraná (91,88%).

Em relação à segunda dose da vacina aplicada aos 15 meses de idade, o estado ficou em 26º lugar entre os estados e Distrito Federal, com 52,19% de cobertura vacinal – o último lugar é do Rio de Janeiro (41,81%). As primeiras colocações ficaram com Paraná (85,58%), Roraima (80,41%) e Santa Catarina (78,5%). A meta vacinal estipulada pelo Ministério da Saúde é de 95%.

“Estamos com as coberturas nas duas doses muito baixas. A criança é o público mais vulnerável, inclusive é a faixa etária que mais está adoecendo. Podemos dizer que pouco mais da metade da população está protegida, o resto está suscetível a doença. A cobertura baixa deixa nosso estado vulnerável”, destaca a superintendente de Epidemiologia e Controle de Doenças da SES, Léa Márcia Melo.

Dentre as unidades regionais de saúde maranhenses, a que mais se destaca em relação à primeira dose da vacina tríplice viral é a URS de Pedreiras, que já aplicou 1.744 doses até julho, ou seja, 88,93% da meta proporcional aos sete primeiros meses do ano, que era de 1.961. Em segundo e terceiro lugares ficaram, respectivamente, a URS de Açailândia (88,71%) e Viana (88,22%).

A última colocação ficou com a URS de São Luís, que só registrou 4.897 doses aplicadas em crianças de 12 meses, ou seja, 39,53% da meta proporcional ao período (12.389).

No ranking da segunda dose, a URS São João dos Patos ficou com a maior cobertura vacinal, com 73,48% da meta proporcional. Seguida pelas URS de Pedreiras (70,57%) e Açailândia (70,36%). A URS de São Luís, novamente, ficou com a menor cobertura registrada, com 28,44% (3.523) da meta estipulada para o período (12.389).

Nota técnica

A Secretaria de Estado da Saúde emitiu uma nota técnica, na quinta-feira (29), para gestores e profissionais de saúde com orientações sobre como proceder em relação ao surto de sarampo no Maranhão. O documento traz informações como sintomas da doença, período de transmissão, como proceder ao diagnóstico e como fazer a coleta correta de material para realização de exames confirmatórios da doença.

Os casos notificados da doença, de acordo com a nota, serão classificados em casos suspeitos (aqueles que apresentarem sintomas da doença e que tenham histórico de viagem para locais em surto) e casos confirmados (comprovados por critérios laboratoriais, por vinculo epidemiológico e critério clínico).
O documento traz ainda as atribuições e procedimentos recomendados para cada nível de atenção em saúde, estabelecendo, por exemplo, procedimentos e fluxos de notificação de casos e responsabilidade nos níveis municipais e estaduais.