Prêmio Magno Cruz consagra iniciativas que se destacaram na defesa dos direitos humanos no Maranhão

A honraria marcou o encerramento da Semana Estadual dos Direitos Humanos 2019 (Foto: Gilson Teixeira)

Um momento de celebração da solidariedade. Esse foi o sentimento que marcou a cerimônia de entrega do Prêmio Magno Cruz, realizado nesta sexta-feira (13), no auditório do Palácio dos Leões, em São Luís.

A honraria marcou o encerramento da Semana Estadual dos Direitos Humanos 2019, e visa ao reconhecimento de pessoa física (ou organização da sociedade civil) e instituições estatais que se destacaram com ações de promoção e defesa dos Direitos Humanos no Maranhão.

Lauro Mandela, filho de Magno Cruz (Foto: Gilson Teixeira)

Criado pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria dos Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihpop), o prêmio celebra a memória de Magno Cruz, ativista maranhense reconhecido nacionalmente pela sua combativa atuação no campo dos direitos humanos e na luta do movimento negro e quilombola.

Engenheiro civil de formação, Magno José Cruz faleceu em 2010, mas até hoje sua trajetória dentro dos movimentos sociais ainda segue inspirando as novas gerações. Essa é a avaliação do filho de Magno Cruz, o estudante Lauro Mandela, convidado de honra da cerimônia.

“Ele foi um grande militante. A cada dia que passa, a gente vai descobrindo o quão grande era o Magno Cruz. Hoje é muito importante ver que, mesmo quase dez anos em que ele já não está mais aqui, ainda tem esse tipo de homenagem, esse tipo de premiação, que também é muito importante para ajudar projetos sociais que, às vezes, não tem patrocínio, não tem um apoio”, analisou Lauro Mandela.

Vanguarda

Para Lauro Mandela, esse tipo de premiação no Maranhão desponta como “movimento vanguarda”, já que, nacionalmente há um forte movimento no Brasil de supressão e enfraquecimento da causa humanitária.

“A premiação é como se fosse um movimento de vanguarda, como se o Maranhão estivesse querendo dizer: não, nós vamos contra isso e vamos dizer agora que, para nós, os direitos humanos estão acima de tudo. Parabéns pela iniciativa de dar apoio a esses projetos sociais; não é todo dia que a gente vê isso”, elogiou.

O secretário de Direitos Humanos e Participação Popular, Francisco Gonçalves, acredita que três características norteiam o significado da premiação: memória ao legado de Magno Cruz, reconhecimento às boas ações praticadas no Estado e de celebração da dignidade humana em tempos de disseminação do ódio.

“O Prêmio tem o valor de memória, ao resgatar as histórias de Magno Cruz e seu compromisso com a defesa da população negra, da população quilombola e da juventude. Tem o valor de reconhecimento das experiências de promoção e proteção aos direitos humanos no nosso Estado e um valor de celebração, de celebrar a dignidade da vida humana, contra todo o discurso de ódio, contra todo o discurso de desagregação”, destacou o secretário.

Vencedores

Na primeira edição do Prêmio Magno Cruz, foram laureadas iniciativas do poder público e da sociedade civil organizada que se destacaram na defesa dos direitos humanos no Maranhão.

Irmão Roque, representante do Lar Calábria (Foto: Gilson Teixeira)

Na categoria Instituições Estatais, o prêmio (registro material) ficou com a Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), com o projeto “Novos Caminhos”. Já na categoria Sociedade Civil, com premiações entre R$ 10 e 30 mil, o grande vencedor foi o projeto “Casas Lares”, desenvolvido pelo Instituto Pobres Servos da Divina Providência – Lar Calábria.

Para o diretor operacional das casas lares do Lar Calábria, Irmão Roque, além de estímulo, o prêmio é fruto do reconhecimento popular do trabalho desenvolvido pelo Lar Calábria, já que os vencedores do Prêmio Magno Cruz foram escolhidos mediante consulta pública.

“É um reconhecimento ao trabalho já realizado há 35 anos com crianças e adolescentes. Essa iniciativa nos motiva a trabalharmos mais. Não é só pelo valor, mas porque assim vemos que tem tantas pessoas que nos acompanham, que nos ajudam, que são nossos parceiros nas atividades, já que foi uma escolha da comunidade”, ressaltou Irmão Roque.

CCN

O Prêmio também garantiu R$ 20 mil ao Centro de Cultura Negra do Maranhão (CCN), pelos seus pelos 40 anos de militância no Estado. Constituído como sociedade civil sem fins lucrativos, o CCN tem como missão o resgate “da identidade étnica cultural e autoestima do povo negro”, combatendo a “intolerância causadas pelo racismo e promovendo os direitos da população negra do Maranhão”.