O Exame Nacional do Ensino Médio para Pessoas Privada de Liberdade (ENEM PPL) ocorreu com tranquilidade nos Centros Socioeducativos da Fundação da Criança e do Adolescente (Funac), localizados na Região Metropolitana de São Luís e em Imperatriz, com a participação de 29 adolescentes. 

As provas tiveram o mesmo nível de dificuldades do ENEM regular e envolveram questões de Ciências Humanas e suas Tecnologias, Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, Redação, além de questões relacionadas à área de Ciências da Natureza e suas Tecnologias e Matemática e suas Tecnologias.

Mesmo sendo o 2020 um ano atípico, por conta da pandemia da Covid-19, a Funac investiu em ações voltadas para a educação. Com um cenário desafiador, por conta da suspensão das aulas presenciais, o cronograma de estudos foi mantido e acompanhado pela equipe pedagógica das unidades. 

A presidente da Funac, Sorimar Sabóia, comemora a participação dos socioeducandos no ENEM e ressalta que, para eles, o exame proporciona não só a conclusão do ensino médio, mas a oportunidade de continuidade dos estudos em uma faculdade. “As atividades sociopedagógica realizadas nos Centros Socioeducativos incentivam essa participação, fazendo com que eles acreditem nas oportunidades que a educação formal oferece, tanto na escolha de uma profissão, quanto na construção de uma nova história”, afirmou.

Um adolescente que realizou o exame em Imperatriz informou que se dedicou para a realização da prova e qual carreira pretende seguir. “Quero cursar Direito e ingressar na carreira de juiz. Mantive uma rotina de estudos diária de 5h e foi essencial o acompanhamento dos profissionais do Centro Socioeducativo, que próximo da data prova, reforçaram o conteúdo, que serviu para intensificar a aprendizagem”.

A pedagoga do Centro Socioeducativo de Internação Semear, Shirlene Torquato, ressaltou o quanto as ações educacionais impactam positivamente na vida dos educandos. “Faz com que os adolescentes se sintam incluídos na sociedade, por meio do estudo e tenham a garantia da escolarização, com foco na Universidade e possam seguir uma carreira”, pontuou.

O socioeducando do Centro Socioeducativo de Internação do Vinhais destaca a sua superação. “É muito importante essa oportunidade para mostrar para a sociedade que é possível construir uma nova história por meio da educação”, comenta.

A pedagoga da unidade do Vinhais, Ligia Santos, pontuou que os adolescentes tiveram todo o suporte para a preparação do exame. “Realizamos um trabalho pedagógico intenso com escolha de temas e metodologias que possibilitavam o estudo a distância. As atividades feitas eram recolhidas, corrigidas e depois devolvidas com os comentários sobre as dúvidas de cada um. Foram realizadas ainda rotinas de estudos, com simulação de provas e debates temáticos. Nas aulas remotas, os professores enviavam os conteúdos e a equipe pedagógica aplicava em sala de aula”, explicou.

O sonho de poder construir uma nova história e ingressar na tão sonhada faculdade motivou as adolescentes do Florescer, como avalia a pedagoga, Iranildes Silva. “O exame do ENEM foi de grande relevância para as socioeducandas; os dois dias de prova foram de muitas expectativas e esperanças. Este é um momento muito rico e muito oportuno para as adolescentes que consideraram muito positivo a primeira experiência em participar do ENEM PPL”, declarou a pedagoga.

Os participantes com ensino médio poderão utilizar o desempenho no exame como mecanismo de acesso ao ensino superior por meio de programas como o Sistema de Seleção Unificada (SISU), para vagas em universidades públicas, além do acesso a programas governamentais de financiamento ou apoio ao estudante da educação superior.

Caso os (as) adolescentes sejam aprovados, a direção do Centro Socioeducativo faz, junto ao educando, a seleção do local, universidade e curso de interesse. Posteriormente, é feita a matrícula na universidade e a unidade comunica ao juiz responsável, para liberação e início do curso.